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A Maldição da Deusa III: O Caçador

19 de out.
3 min de leitura

Este foi, sem dúvida, o livro que escrevi mais rapidamente em toda a minha vida. Em questão de poucos dias, foram 401 páginas de uma narrativa que nasceu de maneira tão inesperada quanto os acontecimentos que a inspiraram.

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Sinceramente, eu não tinha a menor intenção de escrever o terceiro volume de A Maldição da Deusa. Para mim, aquela história poderia permanecer exatamente onde havia terminado. Mas a vida tem uma maneira bastante peculiar de contrariar nossas certezas. Quando acreditamos que já vivemos o suficiente para não sermos surpreendidos, que estamos emocionalmente preparados e até imunes a determinadas situações, eis que o universo bate à nossa porta apenas para nos lembrar de que ainda somos humanos.

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E foi justamente de uma dessas experiências que nasceu O Caçador.

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Assim como os volumes anteriores, esta obra mistura acontecimentos reais, emoções genuínas e uma boa dose de fantasia, construída dentro do universo mitológico da saga. Desta vez, introduzi dois novos personagens inspirados em pessoas reais: Thália, que assume um papel importante na vida de Thétis, e Dante, o enigmático Caçador, cuja chegada transforma profundamente os rumos da narrativa.

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Entre encontros inesperados, conflitos, mistérios e acontecimentos que desafiam até mesmo a existência dos imortais, Thétis embarca em mais uma jornada. E, como parece ser uma constante em sua existência, as coisas não terminam exatamente bem para nossa protagonista.

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Talvez porque Thétis carregue um pouco de mim. Ou talvez porque, desta vez, eu tenha colocado nela muito mais do que pretendia.

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Há sentimentos verdadeiros espalhados por estas páginas. Algumas emoções foram transferidas quase integralmente para a personagem; outras precisaram ser reconstruídas, adaptadas e inseridas no contexto da fantasia. No caso de Dante, especialmente, tomei a liberdade de modificar circunstâncias, características e acontecimentos para preservar a identidade e a imagem da pessoa que inspirou sua criação. Afinal, embora a literatura possa nascer da realidade, ela não precisa reproduzi-la fielmente.

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Escrever este livro foi, acima de tudo, uma maneira de externalizar emoções que eu ainda estava tentando compreender. Foi transformar em palavras aquilo que, em determinados momentos, não encontrava outra forma de expressão. E talvez isso explique a velocidade com que a história ganhou vida. Não houve um planejamento prolongado, tampouco a intenção inicial de construir uma nova sequência. Houve apenas uma necessidade quase involuntária de escrever.

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Às vezes, a literatura não nasce de uma ideia. Nasce de algo que nos atravessa profundamente e exige encontrar uma saída.

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O resultado foi uma narrativa que transita entre a fantasia, a mitologia, o desejo, os vínculos afetivos, as perdas e as contradições de uma personagem que, apesar de sua natureza divina e de sua imortalidade, continua descobrindo que existem dores das quais nem mesmo os deuses conseguem escapar.

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Espero sinceramente que os leitores apreciem esta nova aventura, seus personagens e os caminhos que escolhi para dar continuidade à saga. Mais do que isso, espero que consigam perceber a humanidade escondida por trás de seres que, teoricamente, deveriam estar acima de nossas fragilidades.

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Quanto ao desfecho, posso adiantar apenas que ele deixa algumas portas abertas. Existe a possibilidade de um quarto volume, mas, neste momento, não tenho certeza de que ele será escrito. Afinal, eu também não pretendia escrever o terceiro.

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E, se aprendi alguma coisa com esta experiência, é que nem sempre somos nós que decidimos quando uma história realmente terminou.

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Talvez Thétis ainda tenha algo a dizer. Ou talvez seu destino seja permanecer exatamente onde a deixei.


 
 
 

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